terça-feira, 4 de março de 2014

Tatuador ucraniano faz as tatuagens realistas

Compartilhado de Buzz Feed com   BuzzFeed Staff 

Dmitriy Samohin

talvez seja um dos melhores tatuadores artísticos do mundo.

Dmitriy Samohin talvez seja um dos melhores tatuadores artísticos do mundo.
 

Samohin, que trabalha de sua casa na Ucrânia, tem feito arte desde os cinco anos. Enquanto folheava uma revista de tatuagem durante seu tempo no exército, Samohin decidiu que seria um tatuador.

 
Parece ter sido uma boa escolha.

“A forma me intrigou e fascinou, eu quero ver as coisas criadas na pele da mesma forma que foram trazidas à vida na tela”, disse Samohin ao site inkfreakz.com

"A forma me intrigou e fascinou, eu quero ver as coisas criadas na pele da mesma forma que foram trazidas à vida na tela", disse Samohin ao site inkfreakz.com

O artista se inspira em todas as suas experiências. “[A inspiração] vem de coisas que eu vejo quando estou andando na rua, das coisas que eu ouço, leio, às vezes até pedacinhos de conversas com as pessoas me inspiram”, disse ele.

O artista se inspira em todas as suas experiências. "[A inspiração] vem de coisas que eu vejo quando estou andando na rua, das coisas que eu ouço, leio, às vezes até pedacinhos de conversas com as pessoas me inspiram", disse ele.
 
 

Samohin incentiva o aspirante a artista a ultrapassar seus próprios limites. “Pinte e experimente, o máximo que puder!”, ele diz. “Seja criativo, nunca deixe de aprender e de ser desafiado.”

Samohin incentiva o aspirante a artista a ultrapassar seus próprios limites. "Pinte e experimente, o máximo que puder!", ele diz. "Seja criativo, nunca deixe de aprender e de ser desafiado."

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Grandes colecionadores revelar suas compras na ARCO


Compartilhado El País /bloco economía -  Por: 25 de fevereiro de 2014
ARCO DE ABERTURA

ARCO fechado. É hora de equilibrar. De analisar como as coisas correram. O paciente parece ter sido estabilizado. Galerias de sangramento que desapareceram do show parou e coletores, especialmente os latino-americanos responderam. Durante todo justo, fazer compras, ou seja, "quem-tem-comprado-o", é a informação mais valiosa. No final do dia, é o sentido básico da ARCO. Nós pedimos alguns dos principais colecionadores que têm vindo a Madrid nos dias de hoje . Nem todo mundo está disposto a revelar as suas compras ou recomendações. Mas alguns não têm sido incentivados a fazê-lo, fornecendo informações úteis. Primeiro, ele serve para sentir o futuro da feira e, segundo, porque é uma ferramenta válida para saber quais os artistas (por exemplo, espanhol) está interessado, agora Além disso, alguns dos principais colecionadores do mundo.

1 Jorge Perez, promotor imobiliário e fundador do Museu de Arte de Miami Pérez (PAMM)

Jorge Pérezé um dos grandes colecionadores do leste dos Estados Unidos.Nascido na Argentina, apesar de pais cubanos,tem um museu, projetado pelo suíçoHerzog & de Meuron , que leva o seu nome (Museu de Arte de Pérez ) em colorido Miami. Sim, da mesma instituição, se alguém tiver dúvida, onde um artista para protestar pobre representação local, apenas destruir um navio do criador chinês Ai Weiwei . Mas isso é outra história. A nossa é para descobrir o que comprou ARCO. colecionador dos EUA comprou a obra espanhola de Luis Gordillo , Almudena Lobera e Ruben Guerrero . Siga. Ele também comprou partes de dois artistas portugueses ( Julião Sarmento e Catarina Diaz ) e uma escultura do brasileiro Ernesto Neto .Feche a compras mexicana Quatro: Rafael Lozano-Hemmer , Gonzalo Lebrija , Mario Garcia Torres e Jorge Méndez Blake . 2 Anibal Jozami, sociólogo, empresário e acadêmico colecionador argentino com sua esposa, a jornalista Marlise Ilhesca, membro do Pompidou e empregador a Fundação Museu Reina Sofia . Pegue a "paixão" por mais de 35 anos. Sua lista é um tratado sobre as intenções e possibilidades. "Estas são as peças que me atraiu e eu estou a explorar a possibilidade de conseguir um", observa Aníbal Jozami. E o que lhe interessou? Boltanski ( Kewening Gallery ), Sarah Grilo e Eduardo Stupía ( Galeria Jorge Mara ), Anna Bella Geiger ( Aural Gallery ), Iván Candeo ( Infinito Casa ), Helena Almeida e Pilar Albarracín ( Filomena Soares ) e RezaGanamesh ( Leila Heller ).





Anibal Jozami sentado




3 Solita Mishann especialista em Ciência Política


Solita Mishaan-01

Como uma criança, em sua casa em Caracas (Venezuela), coexistiram com obras de Chagall, Renoir e Picasso.Seus pais, Sadie e Simy Cohen, colecionadores entusiastas, incutiu o veneno. Hoje, no maturidade, faz parte das instituições de tomada de decisão, como aTate Modern . Entre a sua paixão pela arte latino-americana constrói. Dos quais tem uma colecção única.
Em ARCO, Solita Mishann revela que ele viu "várias opções e boas obras." Eu particularmente gostei do espaço Solo Projects, "com um grande sotaque latino", descreve. Comprar? Vários.Emilia Azcárate ( Henrique Faria Gallery ), Luis Simoens ( Emma Thomas ) e Deltanico Lain ( Galeria Vermelho ). Nós também procurou as obras de Alexander Apostol na galeriaMor. Charpentier .
4 Paco Cantos, advogado e secretário da Fundação ARCO

Paco CantosEspecialista em Direito da Concorrência, especialmente sua coleção inclui artistas espanhóis.De Tàpies Asier Mendizabal. "Comprei cinco peças. Muito diferente. Ambas as técnicas e meios e formatos. Mas todos têm um ponto em comum. Pertencem a jovens artistas é o que me diverte comprar e se eles também comprar seus empregos que vai ajudar, tanto melhor ", apontando Paco Cantos. Há ir às compras.Erlea Maneros Zabala ,Marti Cormand ,Almudena Lobera ,Antonio Ballester Moreno e Enrique Radigales . (Out of ARCO também adquiriu um vídeo sobre o show JustMad ). 5 Emilio Pi e Helena Fernandina, negócioFoto: Deia. David de Haro.Durante a semana, este casamento de empresários e colecionadores sempre procurar vídeos ou filmes.Esse é o centro de uma coleção que, talvez, é a mais abrangente de seu tipo na Espanha."Nesta edição da ARCO tem sido menos presença de vídeo-arte, mas eles são sempre boas peças" incidente, otimista, Emilio Pi. A distinção entre galerias nacionais e estrangeiras traçar suas preferências (alguns vão resultar em compras). Em primeiro lugar, longe de casa. Graça Brandão ( João Maria Gusmão e Pedro Pavia ), Filomena Soares ( Carlos Motta ) e Dan Gunn ( Tracey Rose ). Em seguida, feche. Aqui bater na porta de Marta Cervera , com o artista Laida Lertxundi , então vá para Espaço Mínimo (Manu Arregui ) e mais tarde eles se aproximam Angeles Baths ( Andrew Pachon ). 6 Juan Bonet, empresário centrado grande parte de sua coleção no arte conceitual, seus arredores e na última, o coletor de Maiorca reconhece que não tenha comprado no show, mas que baralhar a pé, uma vez concluído, opções e possibilidades. "É por isso que a sua lista é fechada, compras prováveis ​​e futuras. Este é o olhar de artistas. AlainBilterest ( Nogueras Blanchard ), Paul Torn ( Steve Turner Contemporary ), Anna Bella Geiger ( Aural Gallery ), Philippe Van Snick (Murrias Rye), A Kassen e Nicolai WallnerMaisterravalbuena ) e Inmaculada Salinas ( Espaivisor ).








Emilio (Deia)








Juan Bonet

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Galeria ZILDA FRALETTI completa 30 anos

Compartilhada de Casa Sul 
Em 1984, Zilda Fraletti iniciou suas atividades ligadas às artes plásticas em Curitiba. Com a criação da Galeria de Arte Zilda Fraletti naquele ano, a artista estabeleceu como foco principal de seu trabalho a divulgação da arte contemporânea de qualidade produzida no Paraná, sempre com a preocupação de incentivar novos talentos e levá-los para fora da galeria, promovendo, assim, uma maior interação entre o público e os artistas. Passados 30 anos, o espaço destinado à cultura é reconhecido como um dos mais tradicionais da capital paranaense, tendo, atualmente, expressiva relevância no cenário cultural da cidade.
O site Casa Sul conversou com a galerista para saber um pouco mais da história de seu espaço que completa nesse ano três décadas. Confira o bate-papo:
Casa Sul: A Galeria completa 30 anos em 2014. Como analisa esta trajetória?
Zilda Fraletti: Me dá muita alegria ver que a galeria já tem uma história! Neste período, já realizamos muitas exposições, divulgamos novos artistas, trouxemos artistas consagrados para mostrar seus trabalhos em Curitiba e levamos nossos artistas a outras cidades e países. Organizamos cursos de arte, realizamos parcerias com museus locais, viabilizamos a aquisição de obras de qualidade, procuramos levar informação e desmistificar a arte.
CS: Em todos esses anos, a Galeria Zilda Fraletti conseguiu cumprir o seu objetivo: divulgar a arte contemporânea de qualidade produzida no Paraná?
ZF: Com certeza! Desde o início, com os primeiros consórcios de arte de Curitiba, tenho me dedicado a divulgar a arte contemporânea paranaense. Há artistas de altíssima qualidade que fazem parte da nossa história atual e que muitas vezes não recebem a atenção que merecem. Nestes 30 anos, acompanhei o crescimento de vários, o que me traz uma alegria imensa. O que mais gosto não é só de trabalhar com artistas consagrados, mas de participar do crescimento dos mais novos. Através da parceria com as melhores lojas de móveis de Curitiba, tenho procurado levar arte de qualidade para perto das pessoas, que muitas vezes têm dificuldade de entrar em galerias.
CS: De agora em diante, quais são os planos para a Galeria Zilda Fraletti?
ZF: De forma geral, continuar mais ou menos na mesma linha de trabalho, divulgando e comercializando artistas contemporâneos, mas sempre inovando, buscando novas formas de interagir com a cidade, com o meio artístico. Espero que o aprendizado destes 30 anos me ajude a realizar muitas coisas boas nos próximos anos. Trabalhar na área cultural em nosso país não é fácil, mas com paixão a gente consegue superar obstáculos. Meu sonho é que a arte seja mais acessível a um maior número de pessoas e que a galeria seja vista como um espaço onde se pode entrar apenas para apreciar boa arte sem a preocupação em comprar, onde se possa apenas se emocionar e deixar levar pelas criações que ali se encontram. Fica aqui o convite!
CS: Haverá alguma exposição ou evento comemorativo aos 30 anos?
Sim, em setembro comemoraremos com uma exposição do Zimmermann, o primeiro artista com quem trabalhei em 1984. Ele acreditou na ideia dos consórcios de imediato e é um dos maiores parceiros da galeria até hoje.
CS: Pode-se falar em tendência na arte?
Sim, há tendência na arte, como em tudo. Atualmente, há muitos artistas que desenvolvem trabalhos conceituais e usam linguagens muito variadas para se expressar – vídeos, instalações, fotos, etc. A diversidade é enorme. Falou-se muito no fim da pintura, mas ela continua forte. Não há, atualmente, uma clara divisão em escolas, estilos e movimentos, como em tempos passados (impressionismo, expressionismo, cubismo, realismo, surrealismo, modernismo, para citar apenas alguns).
CS: Como fazer um bom investimento em arte?
O melhor investimento que se pode fazer ao comprar arte é em si mesmo, no prazer de conviver com obras que nos transmitam emoções, e com as quais gostemos de conviver. É claro que podemos ter sorte de comprar obras que valorizem, sendo um bom investimento, mas não acredito que este deva ser o motivo principal para se adquirir arte. Nada se compara ao privilégio de poder ter obras de arte de qualidade por perto e, caso a valorização aconteça com o tempo, você terá a agradável sensação de ter investido de maneira correta, além de ter desfrutado do prazer de conviver com uma obra de seu agrado.
CS: Para quem quer começar a adquirir obras, você tem alguma dica?
O primeiro passo para comprar arte é informar-se, criar um repertório pessoal. Frequentar museus, galerias, leilões, ler a respeito, prestar atenção às obras de arte. Assim, é possível apurar o conhecimento e ganhar confiança. O caminho é este: pesquisar e aprender, para saber do que se gosta. E iniciar sua própria coleção, que será única. Há ótimos novos artistas em ascensão que com certeza seguirão carreiras consistentes, e suas obras, que atualmente têm valores bastante atraentes, terão seus preços valorizados. Mas é muito difícil dizer com certeza se isto vai ou não acontecer – é como nas bolsas de valores, em que se investe em ações apostando que elas valorizarão, mas nem sempre se acerta. Por isto prefiro acreditar que esta não deve ser a principal motivação para se adquirir arte.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Cildo Meireles revê seus 50 anos de arte política e poética


  • Compartilhado do Globo / Cultura
  • Depois de ter retrospectivas nos museus Reina Sofía e Serralves em 2013, artista que é tido como um dos principais do país ganha livro sobre sua obra

O artista abriga em seu ateliê, em Botafogo, as caixas com as obras que mostrou na Europa no ano passado
Foto: Fabio Seixo
O artista abriga em seu ateliê, em Botafogo, as caixas com as obras que mostrou na Europa no ano passado Fabio Seixo
RIO - São dez da manhã da última quinta-feira, e Cildo Meireles busca carimbos numa das muitas estantes de seu ateliê, uma casa de pé-direito alto onde trabalha há 13 anos, em Botafogo. Ele volta à imensa mesa e, entre uma confusão de recortes, livros, e-mails impressos e documentos, distribui cédulas de R$ 2, R$ 5 e R$ 10. Começa a marcar as notas com os carimbos de perguntas: “Cadê Amarildo?” ou “Por que Toninho do PT foi assassinado?”. Naquela ação que executa de forma tão natural, o artista prolonga um gesto antigo, de 1975, quando, pela primeira vez, carimbou uma cédula — então de cruzeiro — com uma provocação à ditadura: “Quem matou Herzog?”.
Aos 66 anos, o artista tricolor, pai de dois botafoguenses, casado, ex-fumante (desde que pôs cinco pontes de safena, em 2012), vez ou outra carimba algumas cédulas de real (estas com questões perturbadoras mais recentes) e as usa para comprar algo em lojas perto de casa, também em Botafogo, vizinha ao ateliê — para onde vai a pé diariamente, com suas habituais sandálias e bermudas.
— Tenho ojeriza por arte panfletária. Mas em última análise qualquer trabalho é político — afirma o artista.
A instância política, de fato, permeia sua obra e, por consequência, o livro que revê seus 50 anos de carreira. “Cildo Meireles”, coeditado pela Cosac Naify e pela Fundação Serralves, chega às livrarias em 10 de março e reproduz obras desde meados dos anos 1960 até 2013, quando o artista ganhou retrospectivas nos museus Reina Sofía, na Espanha, e Serralves, em Portugal. Também em março, a partir do dia 26, ele abre uma individual em Milão, no Hangar Bicocca, com 12 instalações.
Distante dos museus do país
Primeiro artista brasileiro a ganhar uma individual na Tate Modern, em Londres (em 2008), e um dos primeiros a expor no MoMA, em Nova York (em 1970), Cildo começou sua trajetória no desenho, quando ainda criança se mudou do Rio para Brasília e passou a estudar com o pintor peruano Félix Barrenechea. Nos anos 1970, de volta ao Rio, passou às “Inserções em circuitos ideológicos” (como as cédulas carimbadas ou as célebres garrafas de Coca-Cola com textos como “Yankees go home!”) e, em seguida, às instalações. Uma das primeiras é “Desvio para o vermelho”, planejada em 1970 e montada pela primeira vez só em 1984 (no Museu de Arte Moderna do Rio). Muitos de seus projetos demoram para sair do papel ou são perenes.
Não tardou para que críticos e curadores o cotassem como um dos principais artistas do país. Cildo ganhou projeção internacional — ainda nos anos 1970, participou da Bienal de Veneza e, depois, de edições da Bienal de São Paulo e da Documenta de Kassel. Aqui, porém, exposições institucionais de suas obras são raridade. Se em São Paulo ele encerra hoje a mostra de uma instalação no Centro Universitário Maria Antonia, em que distorce a arquitetura de uma sala, no Rio sua última grande exibição foi em 2005 — com desenhos, no CCBB. Já suas instalações, que são seu trabalho mais significativo, ganharam uma exposição na cidade há quase 15 anos, no MAM.
— Quando foi a última mostra que fiz aqui? Nem me lembro — diz Cildo, que tem o mesmo assistente, Rubens, desde os anos 1990. — Uma vez, conversando com o (artista americano) Chris Burden, perguntei por que ele não mostrava no Brasil. Ele falou: “Porque não me convidam”. É um pouco por aí. Não me convidam. São Paulo tem mais lugares e mais recursos. Aqui no Rio você tem o quê? CCBB... (“O MAM?”, pergunta a repórter). O MAM, poxa... Minha relação com o MAM é sentimental, não pode ser levada a sério (ele foi um dos fundadores da Unidade Experimental do museu, em 1969). O MAM não tem recursos, anda sempre de pires na mão e raramente pinga alguma coisa substantiva, que dê para montar um programa de fato.
Boa parte das obras expostas na Europa está de volta ao ateliê, mas não há previsão de elas serem vistas por aqui. Cildo diz que não procura instituições para propor mostras:
— É um pouco a história de homem e mulher: a primeira metade da vida, você passa correndo atrás de mulheres; depois, corre delas! (risos). Eu não vou buscar editais, acho até sacanagem. Esse espaço é importante para os que estão começando, se não ficam sempre os mesmos nomes, uma coisa repetitiva.
Influência para gerações seguintes
“Os que estão começando”, como diz Cildo, não escaparam de sua influência. Quando ainda era estudante de pintura, em 2000, Thiago Rocha Pitta viu a mostra do artista no MAM do Rio.
— Os trabalhos implicavam um contato corporal muito forte. Percebiam-se não só com os olhos, mas com a razão. Aquilo para mim era uma descoberta — diz Pitta, lembrando que sua primeira obra, “Abismo sobre abismo” (2001), foi influência de Cildo.
O curador e crítico Lorenzo Mammì cita Nuno Ramos, que, segundo ele, “confessa uma ascendência direta” do artista. Ele diz ainda que há “elementos da arte de Cildo em quase todos os artistas das gerações seguintes, como o uso das alegorias ou o uso estridente de materiais”.
— Cildo tem ligação muito forte com Hélio Oiticica, mas tornando o que nele era exótico algo mais sofrido. Ele trabalha sobre as falhas, fissuras, contradições, os pontos doloridos da forma. Para Cildo, a arte é uma coisa dura, às vezes incômoda, que põe o dedo na ferida. Ele tem uma habilidade particular de encontrar esse desencontro da forma e do mundo.
Cildo também não teme o desconforto em seu discurso. Aponta falhas de museus, bem como de projetos de governo, como o polêmico decreto do Ibram que permite ao instituto de museus inspecionar obras em coleções privadas (“É apenas extensão do controle do governo, os caras querem botar as patas lá”, diz). Ele conta que viu as manifestações que se alastraram pelo país como boas no início e perdidas em seguida. O que pode fazer o artista nesse contexto?
— Se esconder das balas! — diz, rindo. — E, ao mesmo tempo, não se pode fugir. Isso se impõe. É o mais perverso desse processo. Coisas que você sabe que são deploráveis acabam ocupando um tempo muito grande na vida. Em vez de usar essa energia para fazer coisas que você deveria fazer enquanto artista, pesquisar, expandir os campos de percepção e compreensão, você tem que usar para tentar entender essa grande merda que se tornou a vida cotidiana.
O crítico Frederico Morais diz que, embora Cildo seja seu melhor amigo, os dois têm “suas divergências”:
— Acho o trabalho dele político, mas ele recusa com muita veemência que sua obra nasce política. Diz que algumas tornam-se políticas, mas que ele não se propõe a fazer ação política.
Sem celular e o hábito de acessar e-mails (“Eles são abertos para mim três vezes por semana”), Cildo em alguma medida preserva do mundo prático seu ofício — que ele define poeticamente:
— A arte é uma espécie de inutilidade indispensável
.