sábado, 29 de dezembro de 2012

ARTE / RETROSPECTIVA 2013

O ano de 2012 foi marcado por polêmicas no mundo das artes. 
Algumas tiveram pouca repercussão fora dos países em que aconteceram, mas outras foram notícia em todo o mundo. Talvez a maior história do ano tenha sido a prisão, julgamento e condenação da banda de protesto Pussy Riot. Em fevereiro, cinco integrantes do conjunto fizeram uma "performance de guerrilha" em uma catedral em Moscou contra o presidente-eleito Vladimir Putin. A condenação de Yekaterina Samutsevich, Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova provocou indignação em diversas partes do mundo.



Em março, pesquisadores na Itália descobriram sinais de uma obra de Leonardo Da Vinci que estaria "escondida" - pintada abaixo do quadro 'A Batalha de Marciano', de Giorgio Vasari. Amostras tiradas de pequenos buracos que foram feitos na pintura revelam que a tinta preta é semelhante à usada por Da Vinci para criar a 'Mona Lisa'. Alguns artistas são contra o trabalho dos pesquisadores, que estaria, segundo eles, danificando a obra de Vasari.



Em maio, antes dos Jogos de Londres 2012, foi inaugurada uma torre vermelha de aço, batizada de AcelorMittal Orbit. Várias pessoas - inclusive o próprio artista da obra, Anish Kapoor - criticaram o preço cobrado para se visitar a escultura de 35 andares que custou o equivalente a R$ 75 milhões. Cada turista precisa pagar quase R$ 50.


Em agosto, a idosa espanhola Cecília Gimenez virou, sem querer, uma celebridade mundial. Ela trabalhou na restauração de uma pintura de Jesus intitulada 'Ecce Homo', do artista Elias Garcia Martinez, que está há mais de um século em uma igreja em Zaragoza. A restauração desastrada de Gimenez ficou tão deformada que acabou virando piada em todo o mundo.


A obra 'A Senhora do Norte' ou Northumberlandia foi inaugurada em setembro. Trata-se de uma gigantesca escultura de uma mulher, feita em uma paisagem no interior da Inglaterra. A ambiciosa escultura tem 34 metros de altura e 400m de distância. A obra, que fica perto da cidade de Cramlington, é feita com 1,5 toneladas de pedra, solo e argila.



O artista britânico Damien Hirst maravilhou e horrorizou os moradores de Ilfracombe, na região inglesa de Devon, com sua estátua de bronze "Verity", de mais de 20 metros. A imagem mostra uma mulher grávida erguendo uma espada. A obra gigantesca pesa 25 toneladas e foi transportada por um caminhão. A obra recebeu diversos adjetivos dos moradores locais: 'maravilhosa', 'fantástica', 'pavorosa', 'horrível'. Ela ficará exposta por 20 anos na cidade. Hirst é também é morador de Ilfracombe.

Matérias da BBC Brasil   
http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e



MUSEU OSCAR NIEMEYER


Um olhar atento para a arte / texto de André Chiarati

Um museu vivo e em constante movimento. Assim é o Museu Oscar Niemeyer (MON), dedicado a exposições de artes visuais, arquitetura e design. Com mais de 17 mil metros quadrados de área expositiva, ostenta o título de maior espaço cultural desse tipo na América Latina, além de ter sido eleito recentemente um dos 20 mais belos do mundo pelo site norte-americano Flavorwire, especializado em cultura e crítica de arte. O museu é a única instituição latino-americana a integrar a seleta lista. “É um reconhecimento valioso para todos, principalmente para aqueles que idealizaram esse projeto e defenderam sua importância; e para Oscar Niemeyer, que o desenhou com seu traço singular e poético”, comenta Estela Sandrini, diretora do MON.
Ao longo de dez anos de história, o museu já realizou mais de 230 mostras e recebeu eventos e exposições importantes, como o TEDx Curitiba (2011), a Bienal Internacional de Curitiba (2011) e exposições sobre dadaísmo e surrealismo, Rembrandt e Tomie Ohtake. “A vinda de mostras internacionais para cá e o dinamismo da agenda fazem com que as pessoas se sintam sempre estimuladas a voltar, porque sabem que encontrarão, a cada visita, uma proposta diferenciada”, avalia Estela. As 20 mostras temporárias que passam pelo MON recebem por ano mais de 200 mil visitantes, uma média de 25 mil pessoas por mês.
Vários movimentos da cultura curitibana já pediam, desde os anos 1990, um grande museu, um lugar que pudesse receber as obras de arte do estado. “Era a reivindicação por um espaço que fosse completo e não fragmentado em relação à cronologia, às linguagens e aos movimentos artísticos, como eram os museus de arte de Curitiba até então”, relembra Ricardo Freire, historiador do MON. O espaço é administrado pela Associação dos Amigos do Museu Oscar Niemeyer (Aamon) em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e possui um acervo de mais de 3 mil peças, com obras dos paranaenses Alfredo Andersen, João Turin, Theodoro De Bona, Miguel Bakun, Guido Viaro e Helena Wong, além de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Candido Portinari e do próprio Oscar Niemeyer, entre outros.
Muito para ser vistoPara celebrar uma década, o MON preparou uma programação especial com três grandes mostras: Degas: Poesia Geral da Ação, com 73 esculturas do artista impressionista francês, do acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp); Di Cavalcanti, Brasil e Modernismo, retrospectiva com 80 obras de um dos mais expressivos artistas do período modernista da arte brasileira; e PR-BR – Produção de uma Imagem Simbólica do Paraná na Cultura Visual Brasileira, com obras do acervo do museu.
Ocupa o “olho” um filho ilustre da terra dos pinheiros, o poeta Paulo Leminski. Curitibano do “leite quente”, Leminski saiu pouco de sua cidade natal, mas sua obra ganhou dimensão dentro e fora do Brasil. Em Múltiplo Leminski é possível conhecer não só o poeta, mas o jornalista, o grafiteiro, o polemista. A exposição é um recorte da Ocupação Leminski: 20 Anos em Outras Esferas, organizada pelo Itaú Cultural em 2009.
Como forma de estimular e democratizar o acesso à cultura, o MON possui atividades educativas, como oficinas, debates e fóruns para os diferentes públicos que frequentam o local. Desde setembro de 2012, na primeira quinta-feira do mês, o horário de funcionamento é estendido, das 10h às 20h, e entre 18h e 20h a entrada é franca. Há, ainda, a ação chamada Domingo Social, também com entrada franca no primeiro domingo do mês, que traz outras atrações para o museu, como apresentações musicais e de dança e oficinas do projeto Artista do Acervo – uma interação dos diferentes artistas que têm obras na coleção do espaço e que estão em atividade.
Uma obra espetacular
O prédio de concreto branco e iluminação zenital, inaugurado em 1967 como Instituto de Educação do Paraná, infelizmente nunca exerceu tal função. Niemeyer, desgostoso por seu projeto não ter sido executado em sua totalidade e ainda ter sido usado para fins diferentes daqueles para os quais fora idealizado, não fazia muita questão de dizer que o filho era seu.
Mágoas à parte, em 2002, Jaime Lerner, arquiteto e urbanista, ao final do seu segundo mandato como governador (daí a pressa em terminar a obra), propôs que o lugar abrigasse um museu de arte contemporânea. Para tanto, Niemeyer redesenhou um museu metamorfose, que ocupava todo o edifício – com salas expositivas, biblioteca, auditório e café. Ao pavilhão branco, com 65 metros de vão-livre, foi anexado um grande salão expositivo em formato de olho (por isso o apelido de Museu do Olho), para abrigar exposições fixas e itinerantes. Suspensa em uma grande coluna – adornada por azulejos assinados pelo arquiteto e com rampas imponentes de concreto –, a torre chama a atenção e pode ser vista de vários lugares da cidade, fazendo dele um dos pontos turísticos mais visitados da capital paranaense.
O principal desafio do MON foi readequar o prédio e construir um anexo apenas alguns meses antes de sua inauguração. “Será tão bem-sucedida que o museu imaginado constituirá, sem dúvida, uma obra espetacular”, sentenciou o próprio Niemeyer ao descrever o projeto, que teve suas obras iniciadas em junho de 2002. Quatorze milhões de dólares e cinco meses depois, em 22 de novembro, surgia o novo museu, que, inicialmente, abrigava o acervo do Museu de Arte do Paraná (MAP) e do extinto banco paranaense Banestado. Só em 2003 é que o espaço passou a se chamar Museu Oscar Niemeyer.
O edifício integra o Centro Cívico de Curitiba, primeiro a ser construído no Brasil, em 1953, encomendado pelo governador Bento Munhoz da Rocha como parte das homenagens ao centenário de emancipação política do Paraná. O conjunto de prédios, do arquiteto francês Alfred Agache, é parte do projeto de urbanização desenvolvido para Curitiba na década de 1950. Já a praça ao lado do museu é uma das únicas peças executadas do plano paisagístico de Burle Marx, de 1977. Hoje, a capital paranaense acumula boas referências quando o assunto é soluções urbanas bem planejadas, aliadas às suas belas paisagens.
Atrás do museu há outro ponto turístico de destaque: o Bosque João Paulo II – homenagem ao papa que visitou a cidade em 1980 –, com uma mata nativa de 300 araucárias. Fronteiriço ao bosque, há um grande gramado também conhecido como Parcão, que, aos finais de semana, recebe os mais diferentes públicos: jogadores de futebol americano, músicos, praticantes de corda bamba, tribos das mais variadas e uma infinidade de cachorros correndo de um lado para o outro. “Eu costumo vir muito a esta parte do museu e nunca havia entrado nele”, confessa Adriane Ribas, advogada, que pela primeira vez, durante o mês de aniversário do lugar, conheceu o interior do MON.
Não é raro ver diferentes manifestações artísticas acontecendo dentro, fora e ao redor do museu. Sejam grupos de adolescentes que ensaiam passos de hip-hop, sejam fotógrafos clicando ensaios artísticos ou músicos tocando seus instrumentos. Todos se conjugam no mesmo espaço. Depois de tantas idas e vindas, hoje ele cumpre a função projetada por seu criador: formar e educar, tornando o saber e a arte mais democráticos.