terça-feira, 9 de abril de 2013

Exposição de M.C Escher no Museu Oscar Niemeyer


MON recebe a mais completa e importante exposição de M.C Escher já realizada no Brasil

O Museu Oscar Niemeyer (MON) recebe dia 11 de abril, quinta-feira, a mais completa exposição já realizada no Brasil dedicada ao artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher (1898 – 1972). A mostra “A magia de Escher” reúne 85 obras, entre gravuras originais, desenhos e fac-símiles, incluindo todos os trabalhos mais conhecidos do artista. O acervo da coleção da Fundação Escher na Holanda estará distribuído nas salas 1 e 2 do museu até o dia 21 de julho. O horário para ver a exposição “A magia de Escher” será estendido até as 20 horas, de terça a sexta-feira. Devido ao controle de temperatura e umidade das salas para que não haja nenhum dano às obras, o acesso do público será controlado por senha.



A exposição permitirá que o público passe por uma série de experiências que desvendam os efeitos óticos e de espelhamento que Escher utilizava em seus trabalhos. Experiências como olhar por uma janela de uma casa e ver tudo em ordem e, em seguida, ver tudo flutuando por outra janela, ou ainda assistir um filme em 3D, que possibilitará um passeio por dentro das obras do artista. A expografia ainda apresentará animações de algumas das gravuras de Escher.
Há dois anos, quando foi exposta no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, a mostra foi declarada como a exposição mais visitada no mundo em 2011, segundo a The Art Newspaper, publicação especializada em artes e que todo ano faz levantamento das mostras mais prestigiadas.
De acordo com o curador Pieter Tjabbes, essa será a única oportunidade de apreciar tantas obras reunidas fora do museu. “As obras do Escher são muito raras e muito procuradas para exposições. Só existem três coleções no mundo”, diz o curador. Depois de Curitiba, “A magia de Escher” segue para Belo Horizonte no Palácio das Artes, de 18 de setembro a 17 de novembro, com patrocínio do HSBC.

Escher
Escher ficou mundialmente famoso por representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses, padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilusões de ótica, com notável qualidade técnica e estética, respeitando as regras geométricas do desenho e da perspectiva.
Foi depois de uma incursão à Espanha, onde teve contato com mosaicos mouros que o artista foi estimulado a desenvolver trabalhos utilizando o preenchimento regular do plano. Escher achou muito interessante as formas como cada figura entrelaçava a outra e se repetia, formando belos padrões geométricos. Destacam-se também os trabalhos que exploram o ambiente. Escher brincava com o fato de ter que representar o espaço, que é tridimensional, em um plano bidimensional, como a folha de papel. Com isso, ele criava figuras impossíveis, representações distorcidas, paradoxos.
“Escher utilizava princípios da matemática sem ser rígido na sua aplicação. Ele seria mais um matemático amador, que aplicava certos efeitos quase intuitivamente. Há obras que mostram situações que parecem normais, mas com uma observação mais atenta, elas comprovam ser impossíveis. Elas são baseadas em modelos matemáticos como a cinta de Möbius ou o triângulo de Penrose”, explica Pieter. As obras “Belvedere” (1958), “Subir e descer” (1960) e “Cascata” (1961) são exemplos dessa aplicação.
Sobre as instalações interativas
Tudo na exposição foi pensado para que o público, de uma forma lúdica, atente para as dimensões visuais criadas por Escher. Um quebra-cabeça gigante, por exemplo, mostrará como ele se utilizava de imagens geométricas ou figurativas unindo-as umas às outras para criar gravuras que remetem ao infinito, comum em obras como em “Menor e Menor” (1956), o clássico “Dia e Noite” (1938) e “Metamorphosis II” (1940) onde o artista mostra como por meio de pequenas mudanças numa sequência é possível transformar uma imagem em outra.
Assim como Escher adorava brincar com a percepção imediata das pessoas, apresentando um mundo dos sonhos onde não existem direções certas, em cima ou embaixo, a mostra também recriará essa sensação ao utilizar alguns efeitos, como o de uma imagem plotada no chão que se completa no espelho curvado, em uma divertida mistura das três dimensões. "Adoramos o caos porque sentimos amor em produzir ordem", dizia o artista.
Serviço
A Magia de Escher
De 11/04 a 21/07/13
Terça a sexta-feira, das 10h às 20 horas
Sábado e domingo, das 10h às 18 horas
R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada)
Primeiro domingo do mês: entrada gratuita
Primeira quinta-feira do mês: horário estendido até as 20 horas. Entre 18 e 20 horas entrada gratuita
Museu Oscar Niemeyer 

EXPOSIÇÃO NO MUSEU CAMPOS GERAIS / O AMIGO DA ONÇA


Rua Engenheiro Schamber, 686 Centro
quase esquina com a Rua XV.

Na atualidade, ter acesso e ter o costume de ler jornais e/ou revistas é classificado como fundamental para o exercício da cidadania. Nessas mídias os leitores têm à sua disposição idéias, informações, valores e debates que o fundamentam para que possa agir de acordo com seus interesses. No entanto, nem todas as informações são criadas e apresentadas na forma de palavras, muitas se apresentam em fotografias, desenhos, caricaturas.

Cada vez mais o humor visual é utilizado para se analisar a sociedade, para se observar costumes e valores sociais de diferentes épocas, pois é capaz de sintetizar críticas sobre diversos assuntos em apenas uma imagem. A partir dessa observação o Museu Campos Gerais oferece aos seus visitantes a exposição “Piadas da Vida Real”, que apresentará parte de sua coleção de charges do Amigo da Onça publicadas na revista O Cruzeiro. Essas criações retratam valores da sociedade brasileira nos anos iniciais da década de 1960, no entanto, muitas temáticas são contemporâneas.

O Amigo da Onça é o personagem de maior sucesso de Péricles de Andrade Maranhão, importante caricaturista e cartunista brasileiro, que o criou a partir de uma solicitação da revista O Cruzeiro.

Um dos mais populares personagens do humor gráfico brasileiro, o Amigo da Onça estreou em 23 de outubro de 1943, na revista O Cruzeiro e foi publicado por mais de vinte anos ininterruptos. Mesmo após a morte de seu criador (1961), o personagem ainda viveu nas páginas da revista com originais inéditos até fevereiro de 1962. Depois, continuou sendo desenhado por Carlos Estevão até o ano de 1972.

Buscava-se uma figura que incorporasse a esperteza do povo brasileiro, principalmente o carioca. Péricles, então, deu vida a um personagem sempre de cabelos engomados, bigodinho elegante, de calças pretas, paletó branco e gravata-borboleta que insistia em tirar vantagem em tudo, colocando as figuras com quem conversava sempre em situações desconfortáveis.

A exposição será aberta no dia 08 de abril e permanecerá até o dia 08 de maio nas dependências do Museu Campos Gerais, sito a rua Engenheiro Schamber, 686.
O AMIGO DA ONÇA EM EXPOSIÇÃO NO MUSEU CAMPOS GERAIS

 

            Na atualidade, ter acesso e ter o costume de ler jornais e/ou revistas é classificado como fundamental para o exercício da cidadania. Nessas mídias os leitores têm à sua disposição idéias, informações, valores e debates que o fundamentam para que possa agir de acordo com seus interesses. No entanto, nem todas as informações são criadas e apresentadas na forma de palavras, muitas se apresentam em fotografias, desenhos, caricaturas. 

Cada vez mais o humor visual é utilizado para se analisar a sociedade, para se observar costumes e valores sociais de diferentes épocas, pois é capaz de sintetizar críticas sobre diversos assuntos em apenas uma imagem. A partir dessa observação o Museu Campos Gerais oferece aos seus visitantes a exposição “Piadas da Vida Real”, que apresentará parte de sua coleção de charges do Amigo da Onça publicadas na revista O Cruzeiro. Essas criações retratam valores da sociedade brasileira nos anos iniciais da década de 1960, no entanto, muitas temáticas são contemporâneas.

O Amigo da Onça é o personagem de maior sucesso de Péricles de Andrade Maranhão, importante caricaturista e cartunista brasileiro, que o criou a partir de uma solicitação da revista O Cruzeiro. 

Um dos mais populares personagens do humor gráfico brasileiro, o Amigo da Onça estreou em 23 de outubro de 1943, na revista O Cruzeiro e foi publicado por mais de vinte anos ininterruptos. Mesmo após a morte de seu criador (1961), o personagem ainda viveu nas páginas da revista com originais inéditos até fevereiro de 1962. Depois, continuou sendo desenhado por Carlos Estevão até o ano de 1972.

Buscava-se uma figura que incorporasse a esperteza do povo brasileiro, principalmente o carioca. Péricles, então, deu vida a um personagem sempre de cabelos engomados, bigodinho elegante, de calças pretas, paletó branco e gravata-borboleta que insistia em tirar vantagem em tudo, colocando as figuras com quem conversava sempre em situações desconfortáveis.

A exposição será aberta no dia 08 de abril e permanecerá até o dia 08 de maio nas dependências do Museu Campos Gerais, sito a rua Engenheiro Schamber, 686.
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GESTÃO PRIVADA - SE NÃO CONSEGUE ADMINISTRAR, ENTREGUE PARA A GESTÃO PRIVADA .....


Modelo de gestão privada aumenta público de museus de São Paulo

As Organizações Sociais introduziram métodos de gestão privada na administração cultural. Viraram um caso de sucesso de público e crítica

ALBERTO BOMBIG E MARCELO OSAKABE, COM VINICIUS GORCZESKI
COMPARTILHADO DA REVISTA ÉPOCAShar
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) é hoje uma referência. Considerada a melhor da América Latina, ela realiza mais de 200 concertos anuais. Fez turnês aclamadas pela Europa, de onde vem parte considerável de seus integrantes. Nem sempre foi assim. Em meados da década passada, a Osesp, na memória de Evelyn Levy, consultora em gestão pública do Banco Mundial, estava um caos. “Eu me lembro do John Neschling (então maestro da Osesp) me ligando para dizer que todas as partituras estavam no chão porque ele não conseguia comprar um armário. Depois, dizendo que precisávamos consertar o elevador, mas a licitação demorava nove meses. Depois, que tínhamos de levar os passaportes dos músicos para a Polícia Federal, porque eles não tinham um contrato de trabalho formal”, diz Evelyn.

O que mudou em tão pouco tempo? Simples: a Osesp passou a ser gerida como uma empresa privada. Hoje, 64% do orçamento anual da Osep – de R$ 87 milhões – é oriundo do governo do Estado de São Paulo. Os 36% restantes vêm de patrocínios, doações e projetos incentivados, além das verbas obtidas com vendas de ingresso e locação de espaços. Evelyn, que estava na Casa Civil do governo paulista em 2004, foi uma das pessoas que trabalharam na implantação de um novo modelo de gestão mais próximo da iniciativa privada e mais distante da burocracia estatal. Esse modelo hoje está em vigor em importantes órgãos culturais paulistas – quase todos, sucesso de crítica e, principalmente, de público.
PARCERIA CULTURAL Concerto da Osesp, referência musical na América Latina. No detalhe, o Museu da Língua Portuguesa. As OSs atraíram mais dinheiro e mais público para as atrações culturais  (Foto: Poline Lys/Brazil Photo Press/ Folhapress e Luciano Bogado/Ed. Globo)
O modelo adotado são as Organizações Sociais (OSs), como são chamadas as entidades do Terceiro Setor que administram instalações públicas ou programas do governo em parceria com o Estado, como hospitais, escolas, museus e centros de pesquisa. Para que sejam qualificadas como tal, elas não devem ter fim lucrativo. Toda eventual sobra em seu balanço deve ser investida no patrimônio do equipamento, que continua sendo público. Em sua maioria, as OSs são fundações ligadas a escolas públicas ou privadas, entidades filantrópicas e associações de amigos.
>> Arnaldo Cohen: "O Brasil continua indigente em cultura" 

Desde 2005, quando os equipamentos de cultura paulistas passaram a ser administrados pelas Organizações Sociais, o número de visitantes dos museus do Estado aumentou 260%, segundo levantamento obtido por ÉPOCA (leia o quadro abaixo). As entidades também foram incentivadas a procurar fontes externas de recursos, como doações e patrocínios. A Pinacoteca do Estado de São Paulo captou cerca de R$ 1,6 milhão com atividades e produtos diversos em 2011, superando em 6% a meta do contrato de gestão. Outros R$ 7 milhões vieram de patrocinadores. No total, a Pinacoteca recebeu em fontes externas cerca de 25% de seu orçamento.

Agora, o modelo paulista começa a ser implantado em outros Estados, como o Rio de Janeiro. No mês passado, a prefeitura do Rio inaugurou um museu administrado nesses moldes, o Museu de Arte do Rio, gerido pelo Instituto Odeon. “Sou um ardoroso defensor desse modelo. Ele se encaixa perfeitamente para o setor da cultura”, diz Marcelo Araújo, secretário da Cultura de São Paulo e ex-diretor da Pinacoteca.
As OSs têm DNA tucano. Por causa da disputa entre PSDB e PT, sua implantação virou questão política 
Diante desses resultados positivos em São Paulo, é válido perguntar: a expansão das Organizações Sociais seria uma solução para o setor de cultura, quase sempre relegado a segundo plano pelos governantes na hora da distribuição das verbas públicas? A resposta tem esbarrado numa questão política: o conceito de OS tem DNA de um partido, o PSDB. Ele surgiu com a Reforma do Estado, promovida no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, em 1998, sob a batuta do então ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, hoje um ex-tucano. Com o objetivo de tornar a máquina pública mais racional, as responsabilidades estatais foram divididas em duas categorias. A primeira são as atividades exclusivas do Estado, como segurança, fiscalização e benefícios sociais. Os serviços não exclusivos podem ser divididos com a sociedade civil, por meio de contratos de gestão com metas e mecanismos de transparência e controle. Desde então, União, Estados e municípios foram autorizados a repassar recursos para que as OSs administrem bens públicos e programas nas áreas de cultura, saúde, meio ambiente, tecnologia e pesquisa. Esses contratos dispensam instrumentos obrigatórios da administração pública, como licitação e concurso para a contratação de funcionários.
O campo político oposto aos tucanos, comandado pelo PT, faz duas críticas principais ao modelo. A primeira diz que as OSs privatizam atividades que deveriam ser estatais. A segunda diz respeito à falta de capacidade dos órgãos públicos em definir metas e diretrizes na hora de firmar os contratos. Em São Paulo, a cada eleição, o modelo entra na pauta dos debates. No ano passado, o então candidato Fernando Haddad (PT), atual prefeito de São Paulo, dizia em sua campanha que queria rever os contratos das OSs firmados na capital, especialmente na área de saúde. Uma vez no poder, Haddad manteve os contratos existentes. Seu secretário de Cultura, o ex-ministro Juca Ferreira, diz que equipamentos com corpo estável, como o Teatro Municipal, poderão ser administrados pelas OSs. Até agora, não confirmou se adotará ou não o modelo.

Na gestão tucana do Estado, a visão sobre as OSs, obviamente, é outra. A lista de museus administrados pelas OSs inclui sucessos como o Museu da Língua Portuguesa e o Museu do Futebol, ambos montados em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Atualmente, há 20 OSs com contratos de gestão com a Secretaria da Cultura. Elas são responsáveis por cerca de 400 polos do Projeto Guri (de integração social de jovens por meio da cultura), 18 museus, seis salas de espetáculo, sete Fábricas de Cultura, 21 Oficinas Culturais, duas escolas profissionalizantes de música e a Biblioteca de São Paulo.
>> O bem que as filas fazem 

Na área da cultura, as OSs vieram regularizar a atuação das associações de amigos, que, no fim da década de 1990, geriam grandes projetos culturais de forma irregular, segundo afirma José Veríssimo Romão Netto, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da USP. “As relações entre governo e Associações de Amigos deixavam margem para muitos questionamentos. Havia um convênio dizendo que as tarefas seriam divididas, mas, na verdade, o Estado apenas repassava os recursos.” Romão Netto defende o modelo das OSs por considerar a cultura uma área muito peculiar para “encaixar dentro das regras do Estado”. “É difícil o Estado entender a dinâmica da área de cultura. Como licitamos algo como a arte?”

O consenso é que não deve haver retrocesso na implantação nesse modelo de gestão, adotado com sucesso também em outros países, como Holanda e Áustria. O debate agora deveria se concentrar no aperfeiçoamento da transparência e na fiscalização dos contratos pelo Poder Público, hoje mal equipado para fazer isso. “As Organizações Sociais inovaram porque estabeleceram uma parceria público-privada que se orienta para resultados, diretrizes e metas”, afirma o conselheiro Maurício Faria, do Tribunal de Contas do Município de São Paulo. “Isso significa que o Poder Público deve se capacitar para outra atividade, a supervisão e gestão estratégica dessa parceria.” O secretário da Cultura de São Paulo, Marcelo Araújo, reconhece a necessidade de “aperfeiçoar” o modelo. “É preciso uma adequação da estrutura interna do Estado, para que ele possa fazer face a esse novo modelo de gestão”, diz. Onde o Estado é pouco eficiente ou detém pouco conhecimento, como a área de cultura, o melhor é deixar a gestão para quem sabe. O sucesso das OSs em São Paulo mostra que esse é o rumo certo a ser seguido.

SOLAR DO ROSÁRIO - EXPOSIÇÃO ELEMENTOS DE TÁVIA JUCKSCH

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Marcia Moraes está entre nomes da nova geração de artistas brasileiras




a artista marcia de moraes


as linhas neuróticas e obsessivas da artista conferem uma 
condição ambígua aos desenhos vertiginosos que ora 
parecem se auto alimentar e, ora, se autodestruir 

Nos desenhos de Marcia de Moraes, a tensão estabelecida 
pelas milhares de linhas obsessivas e cores que demarcam 
formas, questiona a possibilidade de coexistência entre as 
partes que formam um todo. Ora as massas circulares 
atraem o olhar para os pontos ou emendas de partes que se 
complementam com uma harmonia deslocada, ora as 
formas se esparramam para muito além das bordas do 
papel e evocam espaços ambíguos externos, onde é travada 
uma batalha de angústias psíquicas como as do 
surrealismo. Os títulos direcionam a trama psicológica que 
as linhas nervosas e neuróticas parecem relembrar ao 
ocupar todo o papel. As paisagens delineadas nos 
desenhos, que podem levar até um mês para serem 
concluídos, permitem que um olhar abstraído se relacione à 
distância com topografias superficiais ou que se deixe 
imergir, ser sugado pela vertiginosa condição das redes de 
cavernas e estruturas tubulares sem começo nem fim. A 
dicotomia imposta pelas linhas e cores torna impossível 
definir se as topografias psíquicas da artista se 
auto alimentam ou autodestroem. 



vista geral da exposição de marcia de moraes, "corpo duplo", galeria leme, são paulo, 2012 | cortesia galeria leme, são paulo

GRAFITE E PIXAÇÃO ....


Matéria compartilhada co Caderno G / Gazeta do Povo




Marcelo Andrade / Gazeta do Povo
Marcelo Andrade / Gazeta do Povo / O rosto ainda incompleto do cantor Ray Charles divide a paisagem com pichações no muro: um agrada bem mais que o outroO rosto ainda incompleto do cantor Ray Charles divide a paisagem com pichações no muro: um agrada bem mais que o outro
CURITIBA

Quando o crime vira arte nas ruas

Grafiteiros usam a mesma linguagem da pichação para aprofundar a relação do curitibano com a sua própria cidade
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08/04/2013 | 00:09 | CRISTIANO CASTILHO
É batata. Convide alguém para caminhar pelo Centro de Curitiba, na altura do encontro das ruas Marechal Deodoro e Conselheiro Laurindo e aguarde. Dedos irão apontar para o prédio que está recebendo um grafite gigantesco. Mesmo que ainda só exista metade de um Ray Charles, ninguém repara na pichação que cobre o muro e o portão do estacionamento do mesmo prédio.
A cena é perfeita para reforçar, mais do que a ojeriza à pichação, as possibilidades de utilizar o grafite para o bem da cidade.
Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo / <b>Conheça a equipe Motion Layers</b>: O projeto Motion Layers tem quatro integrantes. Na foto, da esquerda para a direita, o colaborador Luiz Fuja, e os artistas Eduardo Melo (o Artstenciva, que já mostrou trabalhos de arte urbana na Alemanha e na França), Leandro Lesak (o Cínico, que atua como designer e ilustrador e foi um dos fundadores, em 2008, do Espaço de Arte A Casa) e Celestino Dimas (que já expôs no Museu Oscar Niemeyer e Museu de Arte Contemporânea). Cada um deles vai pintar um prédio de Curitiba individualmente e todos assinarão outro, coletivamente.Ampliar imagem
Conheça a equipe Motion Layers: O projeto Motion Layers tem quatro integrantes. Na foto, da esquerda para a direita, o colaborador Luiz Fuja, e os artistas Eduardo Melo (o Artstenciva, que já mostrou trabalhos de arte urbana na Alemanha e na França), Leandro Lesak (o Cínico, que atua como designer e ilustrador e foi um dos fundadores, em 2008, do Espaço de Arte A Casa) e Celestino Dimas (que já expôs no Museu Oscar Niemeyer e Museu de Arte Contemporânea). Cada um deles vai pintar um prédio de Curitiba individualmente e todos assinarão outro, coletivamente.
A céu aberto
Há sete anos, evento em São Paulo promove “festa do grafite”
Aproximar o grafite da vizinhança desconfiada, tentar fazer de um muro cinza e “separatista” uma mancha colorida e acolhedora. Essa é a proposta do Dia do Graffiti, evento que aconteceu ontem pelo sétimo ano seguido no bairro do Bixiga, em São Paulo.
Do meio-dia às 21 horas, a Rua 13 de Maio foi fechada e muros previamente “negociados” foram grafitados. “Promovemos uma ocupação artística do bairro. É uma arte de celebrar a rua, viver o espaço público. O grafite se tornou uma ótima desculpa”, diz Cristiano Scabello, um dos organizadores.
A recepção é a melhor possível. Cristiano diz que as pessoas, cada vez mais, estão interessadas em liberar suas fachadas. Assim, compreendem melhor a diferença entre grafite e vandalismo. “Pichação é um ativismo cultural, não é arte. O grafite é algo que contribui para o bem-estar social”, define Scabello. Cinco mil pessoas participaram do evento.
Tecnologia
Google lança programa para “juntar” artistas e donos de muros livres
Deixar um muro à disposição de grafiteiros já é possível em São Paulo. No dia 25 de março, o Google lançou o projeto Color + City (“cidade + cor”, em tradução livre). A plataforma une dois outros produtos do grupo: a rede social Google Plus e o Google Maps, serviço de mapeamento das ruas da cidade.
Ao acessar o site www.colorpluscity.com.br, o usuário deve escolher se quer se cadastrar como titular de um imóvel – e autorizar que seu muro esteja à disposição de qualquer artista interessado –, ou se inscrever como um artista em busca de um muro para realizar a intervenção.
A página inicial mostra um mapa da cidade de São Paulo, no qual “pins” (marcações) de cores diferentes indicam a localização de muros incluídos no projeto. Conforme a cor da marcação, os muros são divididos em três categorias: disponíveis para intervenções, reservados por algum artista ou já finalizados por algum grafiteiro.
Historicamente as duas formas de expressão fazem parte da mesma linguagem.
“É tudo uma coisa só porque as raízes e as motivações são as mesmas. E o nosso público é todo mundo”, diz Celestino Dimas, um dos integrantes do projeto Motion Layers – contemplado via Lei Municipal de Incentivo à Cultura – que irá colorir quatro prédios até o fim deste mês.
Os três artistas – Dimas é acompanhado por Eduardo Melo, o Artstenciva, e Leandro Lesak, o Cínico – são unânimes em dizer que a pichação não irá acabar por causa de uma lei, justamente porque é uma forma de expressão que envolve, além da intervenção no muro alheio, que é crime, questões mais complexas, como a necessidade de pertencimento e de autoafirmação. “Se quisessem desestimular, teriam que ignorar”, sugere Dimas.
Então, aproveitar o talento dos artistas para o bem da cidade talvez seja a saída menos dolorosa. Mas nem sempre é tão fácil. Há uma coincidência entre dois proprietários de prédios que aceitaram a ideia, sem pestanejar: o “estrangeirismo”. Um dos lugares é um hotel, cujo gerente é português. O outro prédio fica na Rua XV com a Tibagi: o dono vive em contato com o filho, que mora em Los Angeles. “Em Curitiba é um começo, mas tivemos uma recepção muito boa com esse projeto”, comenta Dimas.
O objetivo maior, além de destruir o “ego autoral” dos pichadores, que passam a trabalhar em equipe por um bem comum, é transformar a relação dos habitantes com sua própria cidade. “O grafite desperta o convívio, faz com que as pessoas se sintam mais donas do espaço público, que passou a ser o lugar dos carros. É uma retomada de uma cultura mais afetiva com a cidade, além de ser um avanço técnico e estético em relação à pichação.”
Prova disso é o comerciante Marcos Marins, 48 anos, pedestre atento, que interveio na conversa. “Parabéns pelo trabalho. Isso traz mais vida para a cidade e é bem melhor que outdoor de loja e propaganda política”, disse, apontando para o meio Ray Charles.
“Domesticar” a intervenção não dá resultado
A tentativa de domesticação da arte de rua atrapalha a relação. Depender de autorização do poder público para expressar não está nos planos dos grafiteiros. A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) promoveu nos últimos anos ações pontuais para atender a demanda dos artistas: o edital de 2006, que proporcionou a pintura dos viadutos do Xaxim e Alto da XV, por exemplo, e encontros de artistas no Solar do Barão, espaço “nobre” em Curitiba.
Roberto Alves, ex-coordenador de artes visuais da FCC, destaca que a função do poder público é fazer o “meio campo” para os artistas e que a base de tudo é a própria cidade. “Damos a chancela para o reconhecimento. Fazemos intermediação com espaços que querem ceder seus muros para a grafitagem, por exemplo, mas é impossível ter controle total sobre essa linguagem”, explica. Alves também não concorda com a “caçada” aos pichadores. “A repressão não pode ser uma resposta.”
Alves ainda sugere mudanças nas medidas educativas, para que um atual pichador consiga evoluir em sua própria arte e crie pensando na cidade em que vive. “Ao invés de mandar pintar muro ou assistir palestra, que esses possíveis futuros artistas sejam incluídos em cursos de arte ou projetos como o jovem empreendedor.”

Museu da Imagem e do Som promove Mostra ....




CADERNO G / GAZETA DO POVO / Segunda-feira, 08/04/2013

Milla Jung/Divulgação
Milla Jung/Divulgação /
FOTOGRAFIA

O efervescente teatro dos anos 1990

Mostra promovida pelo Museu da Imagem e do Som do Paraná traz fotografias de seu acervo sobre a cena teatral paranaense do período

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Publicado em 08/04/2013 | ISADORA RUPP - caderno g / gazeta do povo

Gilson Camargo/Divulgação
Gilson Camargo/Divulgação / Mostra traz 45 fotografias sobre o teatro paranaenseAmpliar imagem
Mostra traz 45 fotografias sobre o teatro paranaense
Exposição
A Imagem do Teatro
Secretaria de Estado da Cultura (hall de entrada) (R. Ébano Pereira, 240 – Centro), (41) 3321-4700. Inauguração amanhã, às 17 horas. Visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas. Entrada franca. Até 5 de julho.
A década de 1990 foi de plena efervescência para o teatro paranaense. Em 1992, por exemplo, teve início o Festival de Teatro de Curitiba e surgiu nos palcos a parceria entre o ator Guilherme Weber e Felipe Hirsch, nomes hoje consagrados nacionalmente. Ao mesmo tempo, Edson Bueno e Marcelo Marchioro já eram referências teatrais na época, que contou ainda com a atuação consolidada do ator Mário Schoemberger (1952-2008). A partir de amanhã, será possível ver fotografias dessa época na mostra Imagem do Teatro, promovida pelo Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR).
Estarão expostas no hall da Secretaria de Estado da Cultura cerca de 45 fotografias feitas por Milla Jung, Chico Nogueira e Gilson Camargo – todas integram o acervo do MIS-PR. Com a exposição, a ideia é estender o clima do Festival de Teatro, diz o diretor do MIS-PR, Fernando Severo. “Queremos dar continuidade a essa celebração teatral, por isso, inauguramos a mostra propositalmente no fim do festival.”
Segundo o diretor, o Paraná sempre teve teatro de qualidade, porém, nos anos 1990, as companhias passaram a processar as influências de grandes nomes do teatro nacional. “Tivemos no festival Zé Celso, Gerald Thomas. A mostra ilustra esses primeiros anos.”
Marcas
Além do festival, Severo selecionou trabalhos de Milla e Nogueira que retratam espetáculos e diretores daquela década, e mesclou imagens feitas durante a apresentação das peças e também as realizadas para a divulgação das montagens. “Isso deu um efeito plástico mais interessante. O legal também é ver o quanto as pessoas que estão retratadas são atuantes ou deixaram marcar profundas na cena teatral”, salienta.